terça-feira, 20 de março de 2018

001 - Uma Criança de Outro Mundo

Divulgação
Uma Criança de Outro Mundo, ou An Unearthly Child, é o primeiro arco da 1ª Temporada e foi transmitido pela primeira vez entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 1963.

Episódios:

Uma Criança de Outro Mundo (An Unearthly Child)
A Caverna das Caveiras (The Cave of Skulls)
A Floresta do Medo (The Forest of Fear)
O Criador de Fogo (The Firemaker)

Duração total dos quatro episódios: 1:35:54
Duração do episódio piloto (arco 000): 0:25:06

Sinopse:

Uma jovem estudante intriga dois de seus professores, que vão encontrar seu avô para descobrir algo mais sobre a criança. Nisso, viajam de volta no tempo, onde são presos por uma tribo de humanos do período Paleolítico.

Curiosidades e Bastidores:

Com roteiro do australiano Anthony Coburn, este arco apresenta pela primeira vez o Doutor, interpretado por William Hartnell como o Primeiro Doutor. Além disso, também apresenta pela primeira vez Carole Ann Ford como Susan Foreman, Jacqueline Hill como Barbara Wright e William Russell como Ian Chesterton. O primeiro episódio deste arco trata da descoberta de Ian e Barbara do Doutor e da TARDIS em um ferro-velho de Londres. Os demais episódios tratam de uma luta de poder entre duas facções de uma tribo da Idade da Pedra que perdeu o segredo de fazer fogo.

O episódio Uma Criança de Outro Mundo foi gravado originalmente em setembro de 1963. Depois de vários problemas técnicos e erros de interpretação, os produtores Sydney Newman e Verity Lambert decidiram voltar a gravá-lo e fazer sutis mudanças na caracterização do Doutor. A segunda tentativa foi filmada em outubro de 1963.

A estreia de Dr. Who foi eclipsada pelo assassinato de John F. Kennedy no dia anterior. O arco recebeu críticas favoráveis, e os quatro episódios arrecadaram uma audiência média de 6 milhões de espectadores.

A história está ambientada a princípio em 1963, o ano em que o arco foi transmitido originalmente. Não é mencionado um período específico do ano, mas em Recordação dos Daleks, ambientado pouco depois dos eventos do primeiro episódio, especifica-se que o mês é novembro de 1963. O único incidente relacionado com os eventos de então ocorre quando Susan, sem saber quantos xilens tem em uma libra, recorda timidamente que a libra ainda não está no sistema decimal.

Susan deixa o livro sobre a Revolução Francesa em cima da mesa da sala da escola na aula de Barbara. Ainda está lá quando Ace luta contra um Dalek em Recordação dos Daleks. Ace também recebe uma lição sobre a moeda antes da decimalização de forma similar à confusão de Susan.

O segundo episódio mostra o primeiro uso do título da série dentro do diálogo: quando Ian chama o Doutor de "Doutor Foreman", este responde "Hã? Doutor quem? (Doctor Who?) Do que você está falando?". Ainda que, nesse momento, a pergunta só é feita para estabelecer na história que o Doutor não se chama Foreman, essa pergunta volta a ser feita várias vezes ao longo da série , quase sempre buscando um efeito cômico, apesar de se converter em um elemento dramático da trama na conclusão do episódio O Casamento de River Song, assim como em outros episódios da Série Atual.

Na primeira vez que a TARDIS viaja na série, o efeito sonoro é acompanhado pelo efeito visual do "vórtice do tempo" utilizado na abertura. Durante essa sequência, os humanos Ian e Barbara ficam inconscientes, e experimentam uma leve tontura durante vários minutos depois de despertar. Entretanto, o Doutor e Susan não são afetados. Esses dois elementos, os efeitos e a consequência da viagem, são descartados imediatamente, nenhum ocorre quando a tripulação viaja novamente no final do arco.

Tanto o Doutor como Susan expressam surpresa de que a TARDIS ficou presa em sua forma icônica de cabine de polícia. Arcos posteriores explicam que isso se deve a uma falha do Circuito Camaleão.

O arco que se converteu em Uma Criança de Outro Mundo foi criado originalmente pelo escritor Anthony Coburn em junho de 1963, quando se planejou que fosse o segundo arco da série. Nesse tempo, tencionava-se que o primeiro arco seria um intitulado Os Gigantes (The Giants), cujo autor seria o roteirista da BBC C. E. Webber. Webber havia participado intensivamente nas reuniões de chuva de ideias que haviam levado à criação de Dr. Who, e - junto ao diretor de dramas da BBC Sydney Newman e o diretor de arcos Donald Wilson - havia escrito a "bíblia da série" que incluía todos os detalhes da mesma.

Para meados de junho, entretanto, Donald e o produtor inicial Rex Tucker decidiram rejeitar Os Gigantes. Em parte se deve a que o arco carecia do impacto necessário para um primeiro episódio, e em parte porque se deram conta de que os requerimentos técnicos do roteiro, que incluía os personagens principais reduzidos de tamanho, estavam acima das possibilidades da jovem série com o orçamento disponível. Como não havia outros roteiros prontos para produzir, decidiu-se mover o arco de Anthony ao primeiro lugar na ordem de emissão.

Para fins de junho, a responsabilidade de lançar Dr. Who recaiu nas mãos da produtora Verity Lambert e o editor de roteiros David Whitaker, mas nenhum deles estava muito impressionado com o arco de Anthony para abrir o programa. Foi pedido ao escritor que fizesse mudanças drásticas. Até pensaram em rejeitar o roteiro por completo, cogitando o nome de Terence Dudley para que escrevesse o substituto, mas a falta de tempo obrigou que o arco de Anthony seguisse em frente. Por isso, foi necessário reescrever o primeiro episódio para introduzir alguns elementos que Webber havia escrito para o primeiro episódio de Os Gigantes, assim Webber recebeu o crédito de corroteirista no episódio Uma Criança de Outro Mundo na documentação interna da BBC. Anthony, entretanto, fez várias mudanças de próprio punho no roteiro, o mais notável foi que a máquina do tempo do Doutor deveria ter por fora a forma de uma cabine de polícia, o que se converteu em um dos principais ícones do programa. Anthony teve a ideia quando, passeando perto de seu escritório, cruzou com uma cabine de polícia real.

Preocupado em evitar qualquer conotação sexual imprópria no fato de ter uma jovem viajando com um homem mais velho, Anthony Coburn insistiu que a personagem de Susan Foreman fosse refeita como a neta do Doutor, no lugar de uma simples companheira de viagem.

O arco seria originalmente dirigido por Rex Tucker, mas quando saiu da série, o cargo passou para o jovem diretor Waris Hussein, que havia estado envolvido com Dr. Who desde o princípio. Algumas cenas filmadas nos Estúdios Ealing, a princípios de outubro, foram dirigidas pelo assistente de produção de Waris, Douglas Camfield. A música ambiental foi obra de Norman Kay. O projetista cênico do arco foi Peter Brachacki, que criou o conhecido interior da TARDIS, mas depois do primeiro episódio ele saiu, já que não gostava de trabalhar no programa, e foi substituído por Barry Newbery.

À diferença da maioria dos episódios de Dr. Who, o Doutor está na TARDIS com mais de um acompanhante. O estudioso John R. Cook reflete que a presença dos dois professores é uma reminiscência do objetivo educativo original de Dr. Who. New Scientist refletiu em 1982 que o arco foi ambientado na Idade da Pedra porque a intenção original do programa era "trazer à vida a história da Terra".

A primeira versão do primeiro episódio foi filmado nos Lime Grove Studios na tarde de 27 de setembro de 1963 depois de uma semana de ensaios. A segunda tentativa foi filmada em 18 de outubro, e os três seguintes foram filmados semanalmente a partir de então, em 25 de outubro, e nos dias 1 e 8 de novembro. Como a maioria da televisão britânica da época, os episódios foram gravados principalmente em fita de vídeo como se fosse televisão ao vivo, com pouco espaço para repetir tomadas ou fazer pausas durante a gravação. Isso fez com que houvesse muitos erros evidentes no programa, mas, em troca, conseguia com que os episódios fossem filmados extremamente rápido.

Episódio Piloto

O primeiro episódio de Uma Criança de Outro Mundo foi gravado originalmente um mês antes de começar a gravação regular da série. Entretanto, a gravação inicial se viu cheia de problemas técnicos e erros cometidos durante a interpretação. Um problema particularmente grave aconteceu com as portas da sala de controle da TARDIS que não fechavam corretamente, e, em seu lugar, abriam-se e fechavam-se aleatoriamente na primeira parte da cena. Foram gravadas duas versões da cena da TARDIS, junto com uma primeira tentativa abortada de começar a segunda versão.

Sydney Newman, depois de ver o episódio, encontrou-se com Verity Lambert e o diretor Waris Hussein e indicou as muitas falhas que encontrou no piloto, e ordenou que fosse refeito. Por isso esse episódio inicial é conhecido como "episódio piloto", apesar de não ter sido filmado com essa intenção, já que a prática de produzir episódios pilotos não existia na Grã-Bretanha da década de 1960.

Nas semanas entre as duas gravações, foram feitas mudanças de vestuário, efeitos, interpretações e no roteiro, que originalmente apresentava um Doutor mais maligno e ameaçador e Susan fazendo coisas estranhas como derramar gotas de tinta em um papel. Entre outras mudanças que foram gravadas na versão final, inclui-se a supressão do som de trovão na abertura, a troca do vestido de Susan por outro mais de colegial ao invés do original que fazia ela parecer mais alienígena e sensual, a eliminação de uma linha do diálogo em que o Doutor e Susan afirmavam ter vindo do século IL, sendo substituída por uma referência mais asséptica de que vinham "de outro tempo e mundo", a porta da TARDIS foi reparada para que se fechasse como devia, e refinaram o efeito sonoro da TARDIS.

O episódio piloto não foi emitido até 26 de agosto de 1991, quando a BBC transmitiu uma versão que incluía a primeira metade da gravação montada com uma das duas segundas metades completadas. Ao final, a versão escolhida era a que as portas da TARDIS não se fechavam. Outros erros incluíam Carole Ann Ford travando em uma linha de diálogo, Jacqueline Hill presa em uma porta, e William Russell jogando sem querer no chão um manequim no mesmo ferro-velho. Pouco antes, em junho de 1991, uma versão com a primeira metade montada com a outra tomada da segunda metade foi publicada remasterizada em VHS, junto com À Beira da Destruição.

Em 2006, a coleção de DVD Doctor Who: The Beginning foi lançada contendo duas versões do episódio: uma gravação de estúdio sem edição incluindo todas as tomadas da segunda parte, e uma nova versão do piloto que usava as melhores tomadas da gravação original, com edição adicional e ajustes digitais para eliminar linhas mal ditas, problemas técnicos e reduzir o ruído do estúdio. Como os outros episódios deste arco, as duas versões do piloto foram remasterizadas para o lançamento em DVD usando tecnologia VidFIRE que simulava a aparência original de vídeo da produção de 1963.

Títulos Alternativos

Como costumava acontecer nos primeiros anos da série, não aparecia na tela nenhum título principal para o arco, e cada episódio tinha seu próprio título. Por isso, todos os episódios de cada arco desses primeiros anos terão seus títulos exibidos logo acima da Sinopse em ordem cronológica.

A equipe de produção usava na época da transmissão original o título 100.000 a.C. Entretanto, pela ausência desse título na tela nos quatro episódios, foram utilizados vários títulos de referência, uns criados pela oficina de produção da BBC e outros inventados pelos fãs.
  • A Tribo de Gum (The Tribe of Gum): Um título provisório utilizado até o início da gravação do arco. Sobreviveu em alguns documentos derivados da primeira papelada, como as faturas das vendas internacionais, e voltou a ser utilizado uma vez mais no final da década de 1970 e na década de 1980, sobretudo quando a Titan Books publicou a novelização do arco.
  • 100.000 a.C. (100.000 BC): O primeiro uso conhecido é um lançamento publicitário de quando estavam gravando a história, e voltou a ser utilizado em publicidades posteriores.
  • A Idade do Paleolítico (The Paleolithic Age): Utilizado pela produtora Verity Lambert em uma carta a um espectador no final de 1964.
  • A Idade da Pedra (The Stone Age): Utilizado na lista biográfica da publicação de uma história posterior ao final de 1965.
  • Uma Criança de Outro Mundo (e similares): O título do primeiro episódio, utilizado para o especial do décimo aniversário da Radio Times em 1973 e depois na edição de 1976 de The Making of Doctor Who, utilizando-se comercialmente de forma massiva depois, incluindo novelizações e edições em VHS e DVD do arco.
Muitos documentos não têm nenhum título, enquanto histórias posteriores têm claramente, incluindo a lista da BBC Enterprises de 1974 A Quick Guide to Doctor Who, que foi a fonte principal de referência de títulos para os primeiros trabalhos dos fãs.

Que título deveria ser usado é um tema que tem gerado uma grande controvérsia entre os fãs da série. Os investigadores como David J. How opinam que 100.000 a.C. foi utilizado pela equipe de produção no momento da transmissão original, então é o título mais preciso. No entanto, a BBC tende a titular a história como Uma Criança de Outro Mundo, desta forma, este se converteu no título de uso mais comum para esta história nos últimos anos.

Os quatro episódios do arco junto com partes de seus roteiros e o acrônimo original da TARDIS de Anthony Coburn são marca registrada pertencente à fundação de Coburn.

Arte Relacionada: