segunda-feira, 26 de março de 2018

089 - O Rosto do Mal

Divulgação
O Rosto do Mal, ou The Face of Evil, é o quarto arco da 14ª Temporada e foi transmitido pela primeira vez entre 1 e 22 de janeiro de 1977.

Episódios:

Duração total dos quatro episódios: 1:39:21

Sinopse:

O Doutor, viajando solitário na TARDIS, chega a uma selva em um planeta e se encontra com Leela, uma selvagem de uma tribo local que pensa que o Senhor do Tempo é o Maligno das fábulas de seu povo. Leela foi exilada de sua tribo, os Sevateem, por profanar o deus Xoanon, que é prisioneiro do Maligno e seus seguidores, os Tesh. Xoanon fala com os Sevateem através do xamã da tribo, Neeva. Agora, Leela é uma proscrita e ajuda o Doutor a dar um fim no problema que ele mesmo começou.

Curiosidades e Bastidores:

O escritor Chris Boucher disse que nomeou a personagem guerreira como Leela por causa da lutadora palestina Leila Khaled.

O termo Survey Team sofreu um processo de simplificação fonética, transformando-se em Sevateem. Survey Team significa Equipe de Investigação.

Paul Cornell, Martin Day e Keith Topping escreveram sobre o arco em The Discontinuity Guide (1995) que ele é "uma pequena obra-prima, muitas vezes esquecida de forma imerecida pelo peso das histórias circundantes. Um elenco magnífico agita toda a sutileza e invenção do roteiro." Em The Television Companion (1998), David J. Howe e Stephen James Walker elogiaram o elenco e o uso da imagem do rosto do Doutor, chamando-o de "perturbador". O resenhista da DVD Talk, John Sinnott, deu para O Rosto do Mal quatro de cinco estrelas, elogiando Tom Baker, Leela e a crítica social da história para a religião. Dave Golder, escrevendo para a SFX, notou seu tom mais adulto e chamou de "coisas fortes e convincentes". Em 2010, Charlie Jane Anders, do io9, listou a revelação do primeiro episódio de que o rosto do Doutor é o do Maligno como um dos maiores cliffhangers na história de Dr. Who.

No início de 1975, o escritor Chris Boucher apresentou um enredo ao escritório da equipe de produção de Dr. Who. O editor de roteiros Robert Holmes rejeitou o roteiro pois era muito curto e inadequado para o programa, mas ficou impressionado com a criatividade da obra. Ele convidou Chris para trabalhar em outra história, que deveria ser chamada de A Diretriz Primária (The Prime Directive), com base em uma ideia de Robert e do produtor Philip Hinchcliffe sobre o colapso de uma sociedade controlada por um computador central. Alguns meses depois, em outubro de 1975, Chris entregou a história, agora intitulada A Conspiração do Mentor (The Mentor Conspiracy). Durante os próximos três meses, Chris e Robert trabalharam no roteiro, renomeando-o para A Torre de Imelo (The Tower of Imelo). Philip também contou com a ideia de que o Doutor visitou o planeta antes, mas sua visita teve um impacto negativo. Os roteiros dos episódios foram então oficializados em 27 de janeiro de 1976. À medida que o roteiro para o primeiro episódio chegou, o nome agora mudou para O Dia em que Deus Ficou Louco (The Day God Went Mad). Philip não gostou do título, não devido a conotações religiosas, mas principalmente porque estava fora de acordo com outros títulos. Chris mais tarde concordou que era "pretensioso".

Com o roteiro final entregue em maio de 1976, a produção no Ealing Studios começou em 20 de setembro com a cena de encerramento do episódio um, o primeiro a ser filmado. Isso incluiu o rosto do Doutor esculpido no estilo do Monte Rushmore, uma ideia de Philip Hinchcliffe. A filmagem em Ealing envolveu cenas na selva alienígena, que originalmente deveriam ser gravadas em uma floresta real, mas após o sucesso de Planeta do Mal, na temporada anterior, foi decidido criar uma selva nos estúdios. Outra sequência filmada para o episódio inclui uma cena em que o Doutor ameaça um dos membros da tribo com uma faca. Tom Baker recusou ameaçar alguém com uma arma e, em vez disso, substituiu-a por uma jujuba, o que aborreceu Philip, que não estava presente no dia da filmagem.

O episódio um também apresentou a personagem de Leela, que não pretendia ser um novo companheiro de viagem, mas uma personagem única para interagir com o Doutor. A ideia era apresentar o novo companheiro na história final da temporada (que mais tarde se tornou As Garras de Weng-Chiang[ainda não disponível]) e apresentar dois "companheiros" de uma história única cada no meio. Abandonando esse plano, a equipe de produção decidiu fazer Leela a nova companheira, fazendo o diretor Pennant Roberts começar a audição de 26 atrizes para o papel antes de escolher Louise Jameson. Louise ficou surpresa com o nível de atenção que ela recebeu da imprensa e o interesse masculino subsequente devido a ela vestir trajes curtos de couro (projetados por John Bloomfield) na série. A atriz era obrigada a usar lentes de contato vermelhas para transformar seus olhos azuis em marrons, o que causou grande desconforto, fazendo com que ela não conseguisse usá-las por longos períodos de tempo.

Uma das ideias que foi discutida ao criar a personagem Leela foi dar a ela uma maquiagem escura. Não como uma blackface, mas certamente uma tentativa de torná-la mais exótica. Uma triste indicação de como a ideia de um companheiro "selvagem" poderia ter sido na década de 1970. Felizmente, a ideia foi abandonada, mas houve algumas fotos de uma sessão de fotos. Clique aqui e confira uma.

Quando a história foi para os estúdios de televisão, o título do arco mudou novamente para O Rosto do Mal. Austin Ruddy foi quem projetou os cenários, em sua única participação na série. Philip Hinchcliffe ficou impressionado com os cenários e o considera o melhor projetista depois de Roger Murray-Leach. No episódio três, vários atores foram escolhidos para assumir a voz de Xoanon, incluindo Pamela Salem, que também havia feito um teste para o papel de Leela e apareceria como membro do elenco no arco seguinte. Também entre essas vozes estava um jovem menino, Anthony Frieze, que era um aluno na escola cuja esposa de Pennant Roberts trabalhava. A gravação dos quatro episódios na BBC Television Centre começou no final de setembro e continuou até o final de outubro. O trabalho foi concluído no início de dezembro de 1976.

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Daryl Joyce
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